Herisau, dia de Natal de 1956. Um homem jaz no chão, confundindo-se com o mar branco que o cerca. A neve é o mais perfeito esconderijo. Antes errara durante horas até ao coração do bosque, perdido. Ao longe, talvez, o toque de um sino chamando. A cabeça está apoiada sobre a raíz de uma árvore que emerge da neve. Não há tristeza no seu rosto. Apenas uma réstia do último olhar encandeado pelo brilho da neve, com o espanto de quem descobre, finalmente, o mais secreto dos desejos. Daqui a pouco, um grupo de crianças encontrará um corpo num bosque gelado e saberemos tratar-se de Robert Walser, o «poeta mais escondido que alguma vez existiu», como escreveu Elias Canetti (…)
[ler texto integral sobre Robert Walser em No território do lápis]
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