A extinta Comunidade de Leitores «Os Passos em Volta» deu lugar à Comunidade «A Companhia dos Livros».

A extinta Comunidade de Leitores «Os Passos em Volta» deu lugar à Comunidade «A Companhia dos Livros».
Dia 30 de Junho, 21h30
Local: Sede do Instituto de Cultura Ibero-Atlântica
Largo Dr. Bastos nº 13 – Portimão
Obra em discussão:
CENÁRIOS de Nélio Conceição
No escritório da sua pastelaria, ao longo da madrugada, um homem escreve em segredo. Das suas palavras nascem cenários habitados por personagens que se encontram e desencontram, percorrendo os caminhos do tempo e da memória. Decorrendo essencialmente no Portugal contemporâneo, em duas cidades sem nome, a das personagens e a do escritor, Cenários é um livro sobre as ligações e a escrita.
Local: Chocolate Coffee Book, Rua Judice Bíker, Portimão
16 de Junho, Segunda-feira, 21h30
Obra em discussão: O Castelo de Franz Kafka
Local: Chocolate Coffee Book, Rua Judice Bíker, Portimão
23 de Maio, Sexta-Feira, 21h30
Obra em discussão: O Castelo de Franz Kafka

O Castelo
de Franz Kafka
Último romance de Kafka, O Castelo começou a ser escrito em 1922, na República Checa. Kafka morreu antes de terminar a obra, sendo posteriormente publicada, em 1926, pelo seu amigo Max Brod, que não terá cumprido o pedido de autor para destruir todos os seus manuscritos.
O romance narra a história de um homem, K., e da sua ineficaz luta contra a autoridade. É esta autoridade que governa o castelo onde K. é solicitado a comparecer para trabalhar como agrimensor. Contudo, por mais que tente, não consegue entrar no castelo, ficando na vila que o rodeia.
Kafka considerou o seu romance como um falhanço, mas a crítica reconheceu-o como um dos melhores romances do século XX e o melhor do escritor.
Próximo encontro da Comunidade de Leitores Passos em Volta
2 de Maio, 21.30h
Chocolate Coffee Book
Ocorreu no passado dia 17 de Março mais uma reunião da Comunidade de Leitores Passos em Volta. O encontro teve como mote Jakob Von Gunten- Um diário de Robert Walser.
A próxima reunião, a ocorrer dia 31 de Março, no Chocolate Coffee Book, continuará a ter como objecto de discussão a referida obra de Robert Walser.
Do último encontro resultou a ideia dos vários membros da comunidade redigirem um conto, em conjunto, cujo título é «O banho turco». Cada participante tem duas semanas para escrever a sua parte, o tempo de intervalo entre as reuniões da comunidade, pelo que ao terminar esse período o conto passará para outro dos participantes que tem a tarefa de o continuar. O texto será publicado no blogue.
Boas leituras!
Jakob Von Gunten- Um Diário
de Robert Walser
Terceiro romance do escritor suiço Robert Walser (1878-1956), Jakob Von Gunten foi escrito em 1909, em Berlim.
O protagonista principal do livro é aluno do Instituto Benjamenta, uma escola para formar criados, onde se procurava incutir paciência e obediência. Em vez de formar a personalidade dos alunos, o instituto apaga-a. Através do diário do estudante Jakob desfilam personagens e situações de uma «história singularmente delicada», usando a expressão de Walter Benjamin.
Robert Walser é um dos génios literários do século XX. A sua obra constitui uma perturbante indagação acerca da natureza do ser humano e da perplexidade que lhe provoca o mundo, e os poderes instituídos.
Para saber mais sobre Jakob Von Gunten- Um Diário e sobre a obra de Robert Walser, visite
http://oquecaidosdias.wordpress.com/2007/05/09/no-territorio-do-lapis/
Próximo encontro da Comunidade de Leitores Passos em Volta
17 de Março, 21.30h
Chocolate Coffee Book
PRÓXIMO ENCONTRO DA COMUNIDADE DE LEITORES PASSOS EM VOLTA
Local: Chocolate Coffee Book, Rua Judice Bíker, Portimão
25 de Fevereiro, 2ª Feira, 21h30
Com a presença de Jorge Fallorca, tradutor da obra de Enrique Vila-Matas
Obra sugerida pela Comunidade:
Doutor Pasavento
de Enrique Vila-Matas, Teorema
Atá lá, boas leituras!
DOUTOR PASAVENTO
de Enrique Vila-Matas
Um escritor espanhol razoavelmente conhecido decide desaparecer da vida pública, esperando que dêem pela sua falta e o procurem. Assim começa a história narrada pelo escritor catalão Enrique Vila-Matas, considerado o melhor romance de 2006 publicado em Espanha e vencedor do Prémio Real Academia Espanhola 2006.
O protagonista da história, Andrés Pasavento, tem como herói moral o escritor suiço Robert Walser, que resolveu rejeitar a notoriedade e retirar-se do mundo. Pasavento decide perseguir o destino desse escritor, como prova a sua caligrafia que se vai tornando cada vez mais microscópica e o leva a substituir o traço da caneta pelo do lápis, porque sente que este se aproxima mais do desaparecimento, do eclipse.
Um dia desaparece, acreditando que lhe iria suceder o mesmo que a Agatha Christie, que toda a Inglaterra procurou quando desapareceu, acabando por a encontrar 11 dias depois. Mas ninguém procura o Doutor Pasavento. Assim, renuncia ao eu, à sua grandeza e à sua suposta dignidade, ao ponto de acreditar que encarna a história da desaparição do sujeito no Ocidente. No entanto, pergunta-se se será capaz de viver sem que ninguém se lembre que existe…
Leia mais sobre esta obra em:
http://oquecaidosdias.wordpress.com/2007/06/20/239/
O próximo encontro da Comunidade realizar-se-á a 11 de Fevereiro, segunda-feira, pelas 21h30, no Chocolate Coffee Book.
Até lá, Boas Leituras!
Esta comunidade anda adormecida. Não lê ou prefere não falar sobre o que lê. Ou talvez as últimas escolhas não suscitem o desejo de ir mais além da leitura. O que parece certo é que o livro de Inês Pedrosa não nos levou ao encontro anunciado. Por isso, proponho que repensemos as escolhas a partir dos nossos mapas pessoais de leitura, desenhando itinerários de leitura que podem ser temáticos, épocais, geográficos, etc, com as suas estações que são os livros que escolheremos para ler e depois falar em conjunto. Acordemos a comunidade. Talvez, então, começar por falar ddo livros que lemos e de como os lemos. Deixo aqui um texto já publicado no meu blogue O que cai dos dias como mote para encetar aqui uma conversa em torno dos livros e da leitura. Deixarei aqui, depois, também, propostas concretas para esse itinerário que poderemos seguir juntos. Mas se quiserem antecipar, deixem-se ir por aí e vejam O que cai dos dias. Ali encontrarão algumas estantes da minha biblioteca pessoal, a povoar também com as vossas sugestões.
Encontro sempre outros livros nos livros que leio. E leio-os procurando escapar às tentações hermenêuticas que sustentam uma certa leitura crítica, profissionalizante, controladora do sentido dos textos através de uma axiomática que procura iluminar o oculto, e que Foucault descrevia como uma «vontade de verdade». Não, não vou por aí, perseguindo a ilusória linha contínua da hybris do novo iluminismo. Prefiro os labirintos benjaminianos embebidos na tinta dos livros. E, por isso, prefiro os livros onde se recorta a trama da vida, com as suas cesuras que remetem para outras vidas contadas noutros livros. Gosto, então, de livros onde ecoam outros livros, outros autores, outras tramas. Livros que remetem, que aludem, que citam. Livros onde um só fragmento, uma evocação pode levar a outros caminhos que neles se bifurcam. Livros que abrem para outras possibilidades de leitura. Livros que se fazem e desfazem enquanto os lemos. Todas as leituras são provisórias, porque nunca relemos um livro da mesma maneira que o lemos da primeira vez. Logo, a leitura é arriscada. Como a vida. Escapar, assim, à imanência do texto, através de uma hipertextualidade não tecnológica, perscrutando no vestido do texto as passagens para outros textos. «Perder-se numa cidade como se perde numa floresta exige toda uma educação», escreveu Walter Benjamin. Sim, perder-me num livro e reencontrar-me noutro. Não para me confortar, mas para abanar convicções. A leitura, então, como experiência do mundo, mesmo que o livro seja um clássico, até que, por definição, clássicos são aqueles livros que permanecem actuais, pois neles «surpreende que um rasto já há muito extinto no ar ou na água possa continuar visível, aqui, no papel». Nada está oculto nesta definição de leitura oferecida por W. G. Sebald. Nada está oculto nos livros que me são dados a ler, pois neles também se faz e desfaz, à medida que os leio, – como escreveu Bataille – a «experiência interior que corresponde à necessidade em que me acho em cada momento». Por isso, porque também sou escritor desses livros que leio, renego aquilo a que Deleuze chamava de «interpretose» e que continua a assolar a crítica universitária contemporânea. Porque é preciso nunca falhar a ocasião da leitura, o que só acontece se soubermos adentrarmo-nos nos mundos paralelos que se bifurcam nos livros. Não em todos, claro, apenas naqueles que escolhemos como quem escolhe um bem precioso. Esses são os livros que leio e sobre os quais, numa fulguração momentânea, até mesmo Kafka, contrariando todos os seus intérpretes futuros, escreveu: «atravessando as palavras há restos de luz».